O Encontro Cultural de Laranjeiras

10/12/2011, 17:16

Por Luiz Antônio Barreto

Luciana de Araújo Aguiar, orientada pela professora Doutora Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, apresentou Dissertação de Mestrado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requesitos à obtenção do título de Mestre em Sociologia (com concentração em Antropologia). A Banca contou com a participação da professora Beatriz Góes Dantas, da Universidade Federal de Sergipe. O tema da Dissertação foi: CELEBRAÇÃO E ESTUDO DO FOLCLORE BRASILEIRO: O ENCONTRO CULTURAL DE LARANJEIRAS.

Não é a primeira vez que o Encontro Cultural de Laranjeiras, criado em 1976, para pesquisar, estudar e divulgar o folclore sergipano, é tema de estudo acadêmico, principalmente fora do Estado e até fora do País, sedimentando uma fortuna crítica que tem, também, em trabalhos sergipanos o testemunho da importância do evento, realizado no ciclo das festas natalinas, no período das manifestações de Santos Reis e de São Benedito. O Encontro Cultural de Laranjeiras sofreu mudanças, perdendo sua identidade inicial, em face de uma política cultural divergente, como registra Luciana de Araujo Aguiar na sua Dissertação. Abstraindo a discussão, vale ressaltar que o Encontro Cultural de Laranjeiras funcionou, por muitos anos, como uma Escola Aberta de Folclore, reunindo em Laranjeiras centenas de estudiosos, pensadores, do campo do folclore, da antropologia, da sociologia, da linguística, da comunicação, e de aoutras áreas de afinidades.

A Dissertação de Luciana de Araujo Aguiar aborda, com toda a clareza, a divergência surgida nos últimos anos, e resgata, através de depoimentos dos personagens envolvidos, a verdadeira história de um evento que cresceu como referência de estudos, sem perder sua característica antiga de celebração. Foi a professora Beatriz Góes Dantas quem chamou a atenção dos organizadores do Encontro Cultural de Laranjeiras, sugerindo adequar a data da realização, ao ciclo de festas natalinas e muito especialmente as festas de Reis e de São Benedito. E assim foi feito, a partir do II ECL, vez que o primeiro, pela pressa de fazê-lo, aconteceu em fins de maio de 1976. A partir de 1977 já a data próxima de 6 de janeiro prevaleceu. A própria Luciana de Araujo Aguiar acompanhou, de perto, alguns debates, como assídua frequentadora dos Encontros, o que cerca de toda a veracidade o volume de informações e crítica contidos na Dissertação.

Não é a primeira e certamente não será a útima vez que alguém destaca a história e a qualidade dos estudos dos Encontros Culturais de Laranjeiras. Há uma fortuna crítica unânime, assinada por grandes estudiosos brasileiros, portugueses, espanhóis, franceses, italianos, que tiveram a oportunidade de viver Laranjeiras em seus dias de festas e de estudos. Os Anais, embora não tenham sido completamente publicados, guardam referências e opiniões que atestam a qualidade do evento, bem como a excelência dos participantes. Bráulio do Nascimento, presente desde o I ECL, anotou diversas considerações em seus trabalhos, e ainda teve tempo de pesquisar e localizar em Sergipe narrativas populares raras, como raros são os romances coletados por Costa Fontes, da Universidade de Kent, nos Estados Unidos.

A Dissertação de Luciana de Araujo Aguiar deve circular nos ambientes acadêmicos sergipanos e deve merecer lugar destacado em Laranjeiras, pela qualidade do seu conteúdo, pela discussão que abre, pelas fontes que referencia e pela declaração de importância do Encontro Cultural de Laranjeiras como celebração e como estudos, com ilustração, referências e tudo o mais requerido por um trabalho acadêmico. Fica mais uma vez demonstrado o papel científico dos Encontros Culturais de Laranjeiras, um dos mais sérios e competentes momentos culturais de Sergipe e do Brasil, como se pode avaliar pelos estudos em circulação. O que fica faltando é a publicação do trabalho de Luciana de Araujo Aguiar, ou, ainda a promoção de um debate que possa ter a Dissertação como texto básico.

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